A eleição acabou, mas o desafio fiscal continua. Ajustar as contas públicas já era uma necessidade contratada para 2027, qualquer que fosse o resultado das urnas. Com juros reais acima de 6%, estimamos ser necessário um esforço de 2,6% do PIB para estabilizar a relação dívida/PIB, ou seja, uma economia superior a R$ 300 bilhões já no próximo ano.
Em nossa leitura, o que muda com a reeleição é o ambiente de preços em que esse ajuste vai acontecer. Em um cenário de alternância de poder, preços benevolentes poderiam tirar a urgência do ajuste. Com a continuidade do governo, o movimento negativo dos ativos deve aumentar o incentivo para que o governo avance nas medidas necessárias ou, pelo menos, limitar o espaço para novos desvios. Um Senado dominado pela oposição também passa a ser a principal garantia contra novas flexibilizações do arcabouço fiscal.
Para os investimentos, esperamos a Selic em dois dígitos, em média, entre 2027 e 2031, o que mantém a renda fixa como classe prioritária. No crédito, empresas líderes com capacidade de repasse de preços e exportadoras seguem como porto seguro, e a infraestrutura deve ganhar interesse pela resiliência de seus fundamentos. Setores cíclicos, empresas dependentes de juros mais baixos e emissores alavancados ficam mais expostos. O risco de ajuste via receita coloca os títulos incentivados no centro do debate: se a tributação atingir apenas as novas emissões, os papéis já emitidos tendem a negociar com spreads mais comprimidos.
A reeleição não muda a direção do nosso posicionamento, mas aumenta a importância de executá-lo com rigor. Nos próximos meses, vamos acompanhar três sinais: a escolha do ministro da Fazenda, o desenho de uma eventual PEC de transição e o tratamento dado aos títulos incentivados. Eles dirão se o ajuste virá pelo gasto, pela receita ou pelos.
Acesse a carta completa, com a análise do caso Braskem e os dados de inadimplência e spreads de crédito: Carta_Leto_Eleições 2026